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EU TENHO A FORÇA

EU TENHO A FORÇA

Muitos dos discípulos de Freud construíram carreiras autônomas e brilhantes, chegando a fundar suas próprias escolas de psicanálise. Entre eles Erik Erikson, jovem artista plástico alemão que se encantou pela psicanálise e trabalhou ao lado de Anna Freud antes de migrar para os Estados Unidos, onde fixou residência, trabalhando como professor e pesquisador na Universidade de Harvard. Seu centro de interesse era o ego e sua influência nas relações interpessoais.

A Erikson devemos a expressão "Força do Ego", que nos ajuda a entender algo sobre o comportamento humano. Segundo ele, estamos programados para desenvolver algumas virtudes que nos orientam para o bem e para a evolução. São elas: a esperança, a vontade, o propósito, a fidelidade, o amor, o cuidado e a sabedoria.

Ao conjunto dessas virtudes podemos chamar de força interior, pois quem as possui terá condições de reagir melhor às adversidades naturais da vida e criar condições para abrir novos ciclos favoráveis. Em tempos difíceis como o que estamos vivendo, cuja desaceleração da economia da economia tem provocado reestruturação nas empresas e, consequentemente, enxugamento de cargos, as qualidades humanas se tornam tão relevantes quanto as competências técnicas. É quando a tal força interior vai fazer toda a diferença.

A boa notícia é que, assim como a força física (muscular), a interior também é desenvolvida pelo uso. Ou seja, ficamos mais fortes quanto mais força fazemos. Essa é a virtude dos tempos difíceis e das crises de qualquer natureza, pois somos obrigados a exercitar nossa temperança e hipertrofiar as qualidades que nos tornarão mais fortes e melhores. A crise é a academia do caráter.

Se migrarmos da psicanálise para a economia vamos encontrar alguns pontos em comum. Scumpeter, por exemplo, percebeu que nenhuma empresa está imune à crise,  e que nenhuma delas, por mais bem sucedida que seja, tem crescimento aritmético, muito menos geométrico. "A economia é senoidal", disse ele. Tem altos e baixo. A diferença entre as empresas está na maneira como elas reagem á crise.Algumas se deixam destruir, enquanto outras ficam ainda melhores, a depender dos ajustes na gestão, da capacidade de inovar e da ação das lideranças. Mais uma vez, o determinante é a tal força interior, das pessoas e das empresas.

Eugênio Mussak - Revista Você S/A - Edição 07/2015